Bloqueio de Ormuz reabre prêmio de risco no petróleo, dólar global ganha força e Ibovespa cede 2,55% na semana
A semana foi capturada pela reabertura da crise no Estreito de Ormuz. Após o impasse nas negociações em Islamabad, o Irã voltou a bloquear a passagem de embarcações, o que fez o Brent acumular alta semanal de aproximadamente 14% e elevou o dólar global. No Brasil, o Ibovespa fechou em 190.745 pontos com queda de 2,55% no agregado da semana, pressionado por Petrobras e bancos, com Vale parcialmente compensando via mineração. O dólar à vista terminou a R$ 4,9982, com leve avanço semanal de 0,30%, e a curva de DI mostrou viés de baixa na sexta apesar do desconforto inflacionário acumulado.
No exterior, divergência clara. S&P 500 (+0,6% na semana) e Nasdaq (+1,5%) renovaram recordes mesmo sob choque energético, sustentados por demanda concentrada em semicondutores e expectativa de talks no Paquistão, com Intel, AMD e Arm liderando. Dow Jones cedeu 0,4% na semana. O Treasury 10Y avançou 7 bps a 4,31%, e o Bund 10Y rondou 3,05%, próximo das máximas desde 2011. Movimento contraintuitivo no ouro, que cedeu para US$ 4.697/oz com perda semanal de cerca de 3%, e na prata, US$ 75,79/oz com queda de aproximadamente 7%, refletindo elevação de juros reais sobrepondo a função tradicional de hedge. Na Ásia, Nikkei 225 a 59.685 pontos, Hang Seng a 25.645 e Shanghai Composite a 4.080, com JGB 10Y a 2,44%, máxima de mais de uma semana.
Highlights da semana. Wall Street descolou da Europa e do Brasil, com Nasdaq e S&P 500 renovando recordes apesar do choque energético, sustentados por demanda de semicondutores e Nvidia retomando US$ 5 trilhões de capitalização. A curva global se inclinou em sincronia, com Bund 10Y próximo das máximas desde 2011 e mercado precificando duas altas do BCE em 2026. O Brasil sofreu choque dual, com Selic ainda em 14,75% e mercado dividido para o Copom da próxima semana, em consenso de corte de 25 bps mas com cerca de 40% apostando em manutenção, num cenário em que petróleo e câmbio pioraram a leitura inflacionária.